sexta-feira, 30 de maio de 2008

Maluqueiras e asneiradas

Hoje foi um bom dia.

Conheci o Michael e ele em primeira mão, nos veio comunicar que a sua Leucemia entrou em remissão. São optimas notícias.

Amanhã vou ao Rock in Rio, nunca fui e este ano apesar de me sentir um bocadinho cansada decidi que iriamos na mesma, não posso deixar de fazer as coisas que gosto por causa de medos infundados. Vamos ver os Bon Jovi.

Não são permitas quaisquer críticas aos meus gostos musicais.

Amanhã também vão ser postos à venda os bilhetes para o concerto da Madonna, que se realizará a 14/Set. Vou acordar cedo, para por os pés ao caminho e arranjar 3 bilhetes.

Não sei se em Setembro poderei ir ver ou não. Não sei se nessa altura estarei internada ou em recuperação... como não sei, não posso deixar de programar a minha vida. Assim decidi que vou comprar os bilhetes e depois logo se vê.

Além disso é a Madonna e só se estiver na bolha é que me proibem de ir, caso contrário lá estarei nem que seja numa cadeirinha de rodas ( como no outro espectáculo no Pavilhão Atlantico). Pois vocês não sabem...foi assim:

Eu o Jota e umas amigas fomos ver a Madonna, faltava para aí 30m para o espectáculo começar e chamaram-nos para irmos mais para a frente, já que iria ser gravado um dvd e faltava malta lá à frente. Fixe. De repente dá.me um ataque de taquicárdia, já tinha tido outros e não pensei que houvesse problemas. Deite.me no chão, o que normalmente faria com que a coisa voltasse ao normal. Mas dessa vez não. Em menos de um farol, estava ao pé de mim 2 paramédico. Queriam levar-me dali para fora. Estavam doidos....paguei uma pipa de massa pelo bilhetes e tinha feito uma maratona para os arranjar. O coração não acalmava, batia a 180 batimentos por minuto, (o normal é entre 60 e 90).

Já falavam numa injecção a dar-me no coração, ele parava durante uns segundos e depois com o desfibrilhador, punham-no a funcionar....Estava-me a passar e tentei explicar que se me dessem tempo o coração iria naturalmente abrandar. Estava a começar a ficar stressada, o concerto estava quase a começar...Pedi um valium e disse que se até ao início do espectáculo o coração não voltasse ao normal, então eles podiam levar-me.

Tal como começou, acabou... e então, lá me deixaram ver o concerto descansada mas em cadeira de rodas. Nem queria acreditar.....mas não tive escolha. Abanei o pé e já foi com muita sorte.

Portanto desta vez, nada poderá correr mal.

Bjs.

Gigi

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Artigo 64º Constituição da República Portuguesa

Artigo 64.º - (Saúde)

1- Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.

2- O direito à protecção da saúde é realizado:

a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.

3- Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:

a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.

4 - O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

Se todos temos direito á saúde, não percebo porque é que é tudo tão dificil e complicado....

Tenho muitas novidades, uma delas é que voltei ao trabalho, mas tenho mais....prometo que muito em breve venho actualizar o blog.

Bjs.

Gigi


Voltei....

Bom, tal como estava previsto, lá fui eu falar com a minha nova médica nos Capuchos, quando lá cheguei fui informada que a equipa da hematologia, havia decidido que no meu caso, por ora não irião fazer nada. Que deviamos esperar 2 a 3 meses para ver a evolução......

Nem queria acreditar no que estava a ouvir...mas claro que eles não me conhecem....eu nem para nascer, esperei os 9 meses...

Portanto, fui procurar uma segunda opinião. E graças à minha amiga Filipa (Golfinho), que mais uma vez, conseguiu o impossivel e salvou a minha vida, consegui uma consulta no IPO, ainda na sexta-feira.

Fui muito bem atendida e a médica perguntou-me se queria fazer os tratamentos no IPO. Mandou-me pensar e voltar 4ª feira para lhe dar uma resposta definitiva.

Como as coisas ainda vão demorar mais um bocadinho, decidi voltar a trabalhar.

Agora digam-me, se o direito à saúde, está consagrado na nossa Constituição, como pode acontecer uma pessoa querer ser tratada e não lhe ser dada essa possibilidade?

Gigi

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Super Gigi


O medo é de facto uma coisa terrivel...mas o medo do desconhecido, á ainda pior.
Faz-nos gelar, torna-nos apreensivos e na verdade é tudo por falta de informação.
Tudo isto para dizer que troquei uns mail, com uma senhora, que está na eminência de fazer um auto-transplante e pude tirar algumas dúvidas. Dúvidas talvez um pouco patéticas, mas no final da nossa conversa, senti as minhas forças a renascer.
A super-Gigi está de volta (vou ter de pagar direitos de autor) confiante e determinada.
O meu maior medo é que o auto-transplante fosse algo doloroso, mas após falar com a Paula, ela explicou-me que não. Há-de ser feita uma recolha de sangue periférico (ainda não descobri o que é), se não for possível tiram directamente da medula, mas é feito com anestesia geral e não doí.
Não é fantástico?
Quando não sabemos o que vai acontecer, começamos a imaginar coisas e afinal, parece que é tudo muito mais fácil.
Tinha de vir partilhar estas notícias com todos vocês e agradecer publicamente à minha nova amiga Paula.
Desejo sinceramente que te recuperes muito depressa e aguardo notícias tuas.
Beijocas da Super Gigi

terça-feira, 13 de maio de 2008

O que me vai na alma....

Acho que o que me está a acontecer neste momento é confuso. Certos dias acordo confiante, outros completamente de rastos.

Nem sei bem se já me consciencializei de que estou outra vez doente. Não perco tempo a perguntar porquê eu??? mas de facto perco algum tempo a perguntar porquê outra vez? Questiono-me se terei feito alguma coisa para que o Linfoma tenha voltado...por exemplo, se estivermos a recuperar de uma constipação e decidirmos andar descalços ou se bebermos bebidas frescas, é provavel que tenhamos uma recaida...mas neste caso, será que havia alguma coisa que podería ter feito para evitar esta recaída? Muito provavelmente não!

Tenho 30 anos, tenho vontade de fazer tanta coisa e às vezes, mesmo que só por um bocadinho, tenho medo de não conseguir fazer tudo, de não ter tempo. Depois lembro-me que tenho 30 anos e isso aliado aos 70kg que tenho só pode jogar a meu favor...ou seja ter força para vencer e lutar.

Quando a minha tia Nucha diz que tenho uma responsabilidade para com os meu leitores, sinto que é verdade. Sei que desde o momento que decidi fazer o blog, que tenho sempre tentado transmitir uma imagem de força e confiança. Mas às vezes, essa força parece que desaparece.

Sinto que por vezes, tento transmitir uma força que eu própria não tenho, só para não preocupar tanto quem me rodeia. E como a minha mãe diz, estou a transmitir uma imagem pouco verdadeira. Mas outros dias, sinto que conseguia transportar todas as dores do mundo ou mesmo ir até Marte.

Mas desculpem-me a franquesa, acho esta situação perfeitamente normal. Até o Super Homem, às vezes tira a capa e os collants e é somente o Clark Kent.

Hoje sou somente o Clark Kent, pode ser que entretanto apareça uma cabine telefónica e consiga novamente mudar de roupa.

Não quero com estas frases preocupar ninguém, apenas gostaria que compreendessem que nesta minha luta contra o cancro, há vitórias, derrotas, altos e baixos, dias de confiança e desânimo, mas há principalmente muita solidariedade e muita amizade.

E posso garantir-vos que quando estou um bocadinho em baixo, venho ler todos os vossos comentários e penso, acredito, que com tanta força e amizade, posso sair novamente vitoriosa.

Um grande beijo para todos.

Gigi

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Desânimo

Fui à consulta e vim de lá completamente na merda (perdoem-me a expressão).

Vou mudar de médico, agora vou ser acompanhada por uma médica. Primeiro, só essa novidade me deixou pelos cabelos. Pensei que o meu médico estava a querer despachar-me. Depois lá compreendi, que ele não vai ter tempo para me acompanhar, portanto, é mesmo melhor, ser acompanhada por alguém que se possa dedicar a 100%.

Depois, ainda fiquei mais passada, porque não me responderam a nenhuma das minhas dúvidas, nem questões. Apenas me foi apresentada a nova médica e foi-me informado que a equipa de Hematologia vai reunir, vão estudar o meu caso e só para a semana vou ser convocada para me ser então apresentada a estratégia de ataque. Confirmado está mesmo que vou fazer um auto-transplante.

Tenho de confessar que devo estar mesmo mal acostumada, mas não compreendo a demora das coisas. Uma pessoa desconta para o serviço nacional de saúde uma pipa de massa por mês e ainda assim, quando precisa é tudo lento, lento, parado.

Estou desanimada, queria mesmo ver todas as minhas dúvidas respondidas, queria poder começar a traçar um plano, uma estratégia e assim não consigo. Continuo a ter dificuldade em dormir, em comer, enfim, em concentar-me.

Desejo profundamente começar os tratamentos, pois acho que cada dia que passa, mais o Linfoma se instala, e isso é que não pode mesmo acontecer.

Amanhã vou ao médico de família, para me passar baixa, pois não tenho condições psicológicas para trabalhar. Tenho dores no peito, apesar do meu médico não acreditar...., não consigo dormir, logo não consigo levantar-me às 6h30m, como não consigo comer também não tenho muita energia. Portanto vou ficar em casa. Acho que vou procurar um psicólogo.

Gigi