
Após o 25 de Abril de 74, os meus avós, maternos e paternos regressaram a Portugal, com eles trouxeram os meus pais, que já em Angola namoravam.
E mesmo tendo ouvido histórias do seu regresso e das suas vidas em Angola durante toda a minha vida, quando vi este livro, não resisti e comprei.
O autor era-me desconhecido (enquanto escritor), e apesar de ser novato na escrita de romances e o livro não ser nada de especial, gostei bastante. Imaginei como terão sido os últimos dias dos meus familiares, na terra que consideravam sua.
Não sei se é o apelo ao meu sangue africano, mas fiquei com vontade de me meter num avião e ir conhecer a terra onde os meus pais nasceram.
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Outubro, 1975. Quando o avião levantou voo deixando para trás a baía de Luanda, Carlos Jorge tentou a todo o custo controlar a emoção. Em Angola deixava um pedaço de terra e de vida. Acompanhado pela mulher e filhos, partia rumo ao desconhecido. A uma pátria que não era a sua. Joana não ficou indiferente ao drama dos passageiros que sobrelotavam o voo 233. O mais difícil da sua carreira como hospedeira. No meio de tanta tristeza, Joana não conseguia esquecer o olhar firme e decidido de Carlos Jorge. Não percebia porquê, mas aquele homem perturbava-a profundamente. Despertava-a para a dura realidade da descolonização portuguesa e para um novo sentimento que só viria a ser desvendado vinte anos mais tarde. Foram milhares os portugueses que entre 1974 e 1975 fizeram a maior ponte área de que há memória em Portugal. Em Angola, a luta pelo poder dos movimentos independentistas espalhou o terror e a morte por um país outrora considerado a jóia do império português. Naquela espiral de violência, não havia outra solução senão abandonar tudo: emprego, casa, terras, fábricas e amigos de uma vida.
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Bjs. Gigi

