Pensei muito, pensei se havia de falar sobre isto.
Mas como já percebi que outros o vão fazer, mas vale, tentar também. De que falo? Deste dia, mas o ano passado. Foi neste preciso dia que fui internada, no aquário, para fazer o auto-
transplante.
Não sabia se o queria relembrar, porque embora as coisas tenham acabado bem, foi dos piores momentos da minha vida, 3 semanas e uns dias (já não me lembro quantos) em que estive fechada, enclausurada
num cubículo, mais pequeno que o meu escritório.
Não foi só pelo facto de ter passado o natal e o ano novo sozinha, não foi só por saber que aqueles que me amam, estavam cá fora á minha espera.
Não foi só por não saber se o meu corpo resistia aquela
horrível quimioterapia, não foi só por ter estado 10 dias sem comer, não foi pelo medo que senti.
Não. Não foi só por isto, foi por muitas outras coisas, que chego à conclusão que ainda não sou capaz de falar sobre elas e por isso não sabia se queria trazer este assunto aqui ao blog.
Também é verdade que recebi muitas coisas, além de uma segunda oportunidade de viver, recebi muito amor e carinho por todos aqueles que decidiram passar por lá e sabe
deus como ás vezes vos queria de lá para fora.
Mas todos compreenderam (ou não) e felizmente tudo isso já passou.
Gostava só de recordar 2 momentos realmente
extraordinários que se passaram durante essas 3 semanas:
O primeiro foi quando as minhas amigas do peito e do coração, se vestiram de pais
natal e
rodolfo e me foram
visitar (
inesquecivel), mandei-me lá essas fotos que eu nunca as cheguei a guardar;
O outro foi quando a minha irmã Joana me foi
visitar com um nariz de palhaço e uns grandes óculos (foi pena não te ter fotografado).
Portanto, neste dia ao mesmo tempo tão feliz e tão
difícil, apenas quero agradecer. Agradecer estar viva e
saudável e agradecer a vossa presença incansável não só nessa altura, mas agora e sempre.
Gigi