Tal como prometi
aki vai...versão resumida, até porque muitas das coisas já estão espalhadas por este blog.
Tudo começou no verão de 2006, mais
concretamente em Julho, quando me apareceram uns "caroços" no pescoço. Depois de alguns meses até se perceber de que se tratava, finalmente fiz uma biopsia em Janeiro que concluiu que se tratava de um
linfoma de
Hodgkin, de
sub-tipo esclerose nodular.
Fui submetida a
mais uns exames para verificar a extensão da coisa, nomeadamente
tacs ,
mielogramas e biopsia
óssea e chegaram à conclusão que estava no estádio II A.
Fiz 4 ciclos de
quimioterapia, de protocolo
Standford V, quando os livros dizem que se devem fazer 6 mais algumas sessões de Rádio, mas como entrei em remissão ao fim do primeiro ciclo, o médico que me assistia na altura achou suficiente.
10 meses depois voltei a ficar doente, mas desta vez a doença tinha "descido" e estava localizada na zona do
mediastino (já expliquei em
post antigos onde é) e pedi
transferência para o
IPO, sítio onde deveria ter ido desde o princípio.
Após mais uma data de exames para verem o ponto da situação iniciei 4 ciclos de
ESAP (
quimioterapia, que antecede o
transplante de
medula).
Após 1º ciclo entrei novamente em remissão, o que me deixou muito confiante. No entanto entre o 3º e o 4º ciclo recaí novamente, e desta vez a doença estava espalhada por mais sítios, nomeadamente pelo
esófago,
clavícula direita e claro
mediastino.,tendo sido posto em causa a realização do auto-
transplante.
Depois de avaliações, foi decidido que o faria de qualquer forma e como iria fazer um
transplante com as minhas células, logo não precisei de dador
compatível.
3 meses após o
transplante,
concluíram que havia entrado novamente em remissão, mas ainda assim fiz 30 sessões de
rádio terapia.
E
basicamente é isto.
Flávio a mensagem que te queria
transmitir é que ter cancro, não é como ter uma constipação, ou um braço partido. É, infelizmente algo muito mais complicado, mas que muitas vezes tem solução.
Não te posso dizer que no caso do teu familiar/amigo, vai correr tudo bem, mas é isso que espero sinceramente. naturalmente que a expansão da doença é importante, mas pode não ser grave. Há casos de pessoas, e uma delas até costuma passar por aqui, que estava em estádio IV e hoje está
óptima.
Se já estou curada, não te sei dizer e quando falamos de doenças oncológicas, é raro podermos utilizar essa expressão. O que sei é que estou em remissão há 17 meses e assim espero continuar.
Quanto ao facto de estar há mais de 3 anos a lutar e ainda não ter resolvido o problema, prefiro ver as coisas por outro prisma. Estive muito doente, mas continuo viva e a lutar.
Se amanhã as coisas se apresentarem de outra forma, terei de analisar a situação e continuar a lutar.
Só gostaria de te deixar uma mensagem, ter
pensamento positivo é 50% da cura e estar rodeado de pessoas positivas e alegres também ajuda bastante. Portanto, toca a ganhar forças para transmitir boas energias a essa pessoa tão especial que vai precisar.
Um beijinho grande.
Gigi