quinta-feira, 30 de abril de 2009

Os anjos não têm sexo......


.....e aparentemente os doentes oncológicos também não.

Há dias vi uma reportagem muito interessante, sobre o sexo e os doentes oncológicos. Na peça médicos reconheciam que de facto, na área da sexologia os doentes oncológicos não eram acompanhados. É de facto uma grande falha.

Pois como é natural, após um diagnóstico de cancro, muitos casais passam por uma fase de total abstinência, ou quase total. É a depressão associada, é a medicação, que muitas vezes inibe a líbido quase totalmente, são as dores etc.

Depois há toda uma falta de auto-estima, associada à imagem. Quando o cabelo começa a cair ou quando por exemplo as mulheres passam por uma mastectomia radical (falo das mulheres, porque não conheço homens com doenças oncológicas), os cateres, as biopsias, tudo coisas que deixam marcas no corpo e ainda maiores na alma (ou psique).

E apesar de já haver muitos hospitais com acompanhamento psicológico, psiquiatrico e até mesmo de assistentes sociais, não me recordo de alguma vez me terem perguntado:

Como vai a sua vida sexual?

Compreendo que têm de existir prioridades, que em primeiro lugar se tenha de tentar travar a doença, mas como disse um dos médico e muito bem, estamos a tratar pessoas e não doenças. Logo o sexo é parte fundamental da vida de uma pessoa, tal como comer, beber, etc.

Após tratamento de quimioterapia, é frequênte, as mulheres sofrerem de falta de líbido, de falta de lubrificação e até alguns músculos do sistema reprodutor (chamemos-lhe assim) ficarem um bocadinho em baixo de forma. É necessário falar abertamente com o médico assistênte, para que este possa encaminhar o caso para um especialista.

Por vezes, a susbtituição de alguma medicação, pode ser o suficiênte para que a coisa melhore, mas pode ser necessário, ter que se admnistar alguma outra ajuda.

É necessário também que o casal, encontre a intimidade suficiente para que possa resolver os seus problemas, sim porque o facto de a mulher não ter cabelo, não significa que seja menos sexy. Isso são coisas da nossa cabeça, que podem e devem ser trabalhadas.

Cabe a todas nós, exigir o nosso direito de uma sexualidade saudavel e se para isso tivermos de falar abertamente com alguém, devemos faze-lo sem receio.

Sim, porque se já vencemos um cancro, vale a pena trabalharmos para ter uma vivência em todo o seu esplendor.

Bjs.
Gigi- a sexologa

20 comentários:

Nela disse...

Uma das situações mais frequentes acontece com mulheres que fizeram braquiterapia (útero e ovários) ou as mulheres (cancro da mama) que tomam medicação para "bloquear" os estrogénios. A somar à diminuição de líbido, há a atrofia da vagina e correspondente secura. O Ginix consegue diminuir esta situação, permitindo que a sexualidade se expresse como habitual.
Quando vi este teu post, deu-me imensa vontade de rir... Eu e a Carlinha já damos aulas sobre a matéria e nos sítios mais próprios, tais como áreas de serviço e bares de província...!
Haverá gente que vai corroborar o que acabei de dizer...

Cristina J. disse...

Ahhhhhhhhhhhh pois vou corroborar!!!!!!!
E nas viagens a caminho de Rio Maior?! Meu Deus!
Fiquei uma expert em "aplicadores",pomadinhas, géis, frequência de aplicações,securas, bloqueios, propriedades e preços das várias marcas etc. Só mesmo estando lá. Foi um pagode, eeehhhh

Gigi, eu também vi esta reportagem da SIC, salvo erro, e sabes o que percebi, mais uma vez: que para os homens continua a ser muito mais dificil falar deste assunto, mesmo que associado ao cancro.
Falou um casal e dois homens que tinham tido cancro na próstata... e um deles, esteve um ano sem falar sequer á sua médica sobre este seu problema. UM ANO!

Deveriam mesmo existir áreas de acompanhamento nesta matéria a doentes oncológicos. Há muita vergonha associada a este tema, e depois de tantas marcas fisicas que a doença vos deixa, isto é remetido para plano secundário.

Jokas e bom fim de semana

Sonia disse...

Olá gigi!sei q não me conheces,mas eu costumo visitar-te quase todos os dias!tou a lutar contra um cancro na mama,e quando li este teu post não pude deixar de sorrir,pq tens toda a razão tb aconteceu comigo,mas falei com o ginecologista de oncologia e ainda fiquei mais frustrada,pois não é que ele me disse que era tudo da minha cabeça,achas normal?
beijinhos e tudo corra bem contigo ,
sonia

Filipa disse...

Bom, já vi que tu não tens problemas em falar abertamente deste assunto, e isso é muitooooo bom!

Beijinhos e divirtam-se!

Ps. Obrigada pelos teus telefonemas!

zelia disse...

Olá
Um beijo a todas vós e em especial á minha norita que tão bem abordou este tema.
Bom feriado.

Sofá Amarelo disse...

Interessante abordagem que muita gente tem inibição de fazer. O Sexo faz parte da Vida e de todos nós - e ainda por cima é algo que dá prazer - para que esconder uma coisa destas? Abaixo os tabus, que o Sexo seja usufruído por todos consoante as suas necessidades e possibilidades - mas este tema merece uma reflexão muito alargada...

Muitos beijinhos! Um bom mês de Maio!!!

Liliana disse...

Como são sábias as tuas palavras Gigi. Também eu tive e tenho vivido essa situação.

Antes de tudo acontecer tinha uma vida sexual bastante activa e saudável, durante a primeira quimio, antes da cirurgia também se manteve, mas depois da mastectomia tudo se transformou.

Deixei de lubrificar, tenho secura vaginal, falta de apetite sexual, e por vezes é muito frustrante.

Tentei abordar uma vez o assunto na oncologia, mas não me consegui explicar muito bem, tive acanhamento.

Na quarta-feira passada fui assistir a uma palestra sobre esta temática no hospital de Santa Maria, falarei dela daqui a uns dias no blog, antes estou a reunir informação clínica sobre a matéria.

Foi bom, levei a minha mãe e o Puma. Ficámos todos mais esclarecidos, mas a precisar de umas consultas na especialidade.

Felizmente que já existem profissionais a levantarem essa preocupação.

Beijinhos Princesa.

Lisa disse...

Post muito interessante!

Obrigada por teres abordado este tema.

Boa semana.

Bjs

imel disse...

Oi Gigi, este era um tema que já tinha pensado em falar, mas não sabia como. Ainda bem que o abordaste e bem.

É verdade mesmo, quando se faz uma mastectomia radical que foi o meu caso, tudo passa a ser diferente. No meu caso, acho que começa mesmo por mim, não me sinto bem e logo não há iniciativa. Já tinha pensado em falar com o medico sobre esta questão mas acho que é importante estarem os dois.
Na verdade penso que estamos a perder os melhores anos da nossa vida e o sexo faz bem à saude e à "mona".

Bjokas

IsaLenca disse...

Vi a reportagem e "tiro o meu chapéu" às pessoas que não se importaram de dar a cara e falar abertamente do assunto, e a ti por abordares este tema no blogue: em Portugal ainda há muitos tabus e muito preconceito, mas pouco a pouco vai sendo quebrado. Espero sinceramente que a reportagem eeste teu blogue tenha como reflexo mais pessoas procurarem ajuda e falarem abertamente sobre os seus problemas e dificuldades a nível sexual.

Como diz a Imel sexo faz bem à saúde e á "mona"!
Bjs

Nela disse...

A propósito do assunto (sexo), fazia já aqui uma chalaça com o que disseste, Isalenca - "mona"...! Mas é melhor não...
Imel, usa Ginix!

imel disse...

Nelita, amore... qual Ginix qual carapuça, a malta quer é sopas e descanso...

Tá bué da calor...

jokitas

Cris VIC disse...

PORCAS!

Lina Querubim disse...

ihihihihihii CrisVic

Beijokas a todas

May Alek disse...

Excelente post, Gigi!
No meu caso, tive um pouco mais de sorte. Um mês e pouquinho após a cirurgia o médico perguntou: tem feito sexo? Não, não sei se posso, respondi. Pode e deve, senão a vagina vai fechar e o sexo ficará dolorido, foi a resposta dele. Confesso que até achei engraçado o modo como falou. Mas realmente é uma questão importante e de lá pra cá nenhum outro médico tocou no assunto. Com relação à auto-estima, no princípio ficava com receio de mostrar a barriga e a cicatriz imensa, de alto a baixo, mas depois isto passou e percebi que passei a gostar muito mais de mim e do meu corpo, até fiquei um pouquinho consumista, me dou presentes com frequência. Curiosamente não me senti feia em nenhum momento durante o tratamento, mesmo nos períodos em que fiquei inchada por conta da cortizona. Ainda não encontrei uma explicação para isso, talvez por ter sempre a minha volta alguém me elogiando, talvez por ter me mantido sempre ocupada com alguma atividade, talvez por ter deixado a alegria falar mais alto do que a tristeza, não sei.
Obrigada pelo post.
Boa semana pra você!
Beijos

Célia Novais Rosado disse...

Eu tb vi a reportagem e achei fantástica! E tu tb és o máximo e não tens 'vergonha na cara' (lol) para dizeres essas coisas em publico... já viste quantas pessoas coram só de pensar em sexo? quanto mais falar assim, abertamente... ihihih

Há gente que parece que ainda vive na idade de pedra...

Beijokas

Anónimo disse...

Oi
Também vi a reportagem e gostei bastante. Além da frase que referiste, também achei interessante "pretende-se curar e dar qualidade de vida. E sexo, faz parte".
Bom... no meu caso, não tenho tabu nenhum a respeito de sexo (falo é demais), abordei o assunto com todos os médicos que me acompanharam (execpto a de radio)
:0) O meu problema é mesmo, como dizer? Hmmm, encontrar o príncipe? hihihi

Beijokas e boa semana

VandaReis

Filipa disse...

Sim, eu sei que o sexo é importante e é um tema que deve ser falado e posto em prática. Mas pára lá um bocadinho e vem dar notícias!

Beijoooos!

Dinastia FilipiNHa disse...

A Filipa sou eu!

Beijo

Lina Querubim disse...

Lindas, maravilhosas são o meu orgulho!!!!
Não tenho mais palavras...ás que não estão na tv tb estão incluídas!
Beijinhos grandes adoro-vos!!!