quarta-feira, 27 de março de 2013

Desabafo



Tenho andado um bocado em baixo a pensar na quantidade de pessoas que já perdi, por causa deste Porco, que por muito que Inche, às vezes não morre.

Preocupa-me que apesar do tempo ir passando e sermos invadidos por uma grande esperança, de que nunca mais vamos ficar doentes, esperança essa que é proporcional ao tempo já decorrido, em certos casos, a vida dá uma volta e somos apanhados desprevenidos ou não, e o Porco volta.

Não que no meu caso, para já seja esse o caso, aliás, muito pelo contrário, pois parece que está tudo a correr muito bem, mas é inevitável  fazer comparações e por cada caso que conhecemos de alguém que estava em remissão há 4, 5 anos e que de repente voltou a ficar doente, um pânico atinge-nos o peito e impede-nos de respirar e  raciocinar.

Nessas alturas, velhos demónios, voltam a rondar o nosso pensamento e o mais estúpido é que não há nada que possamos fazer, para impedir que esse receio não se transforme em realidade.

Todos estamos cientes que cada caso é um caso, para o bom  para o mau e apenas podemos rezar/pedir, para não voltarmos a ser contemplados com esse presente envenenado.

Porque às páginas tantas, não sabemos se vamos ser a excepção á regra ou a regra que confirma a excepção e se na maioria dos dias, tal como os restantes mortais não nos lembremos que todos teremos um fim, outros dias há que esse fim, que pode até não estar nada próximo, parece surgir logo alí, ao virar da esquina, numa velocidade vertiginosa.

Nesses dias, apressamo-nos a fazer balanços e planos, por forma a tentar garantir, que se o fim estiver perto, pelo menos tentámos fazer tudo o que está ao nosso alcance para sermos o mais feliz possível, que concretizámos todos os nossos planos, projectos e que não deixámos nada por dizer.

E se na maior parte dos dias estes procedimento parecem ser suficientes para aquietar um coração palpitante, outros há, como hoje, que me parece muito pouco e que não resolvem o meu problema.

Resta-nos esperar por dias melhores.
Gigi

7 comentários:

Zélia disse...

òh miuda, todos temos dias assim.
Força, nós estamos cá e não vergamos!
Muita fé, muita força, muita coragem, até porque está tudo bem e vai continuar!
Beijinhos.

Cíntia Souza disse...

Gigi minha querida,

Como disse sua amiga acima, todos nós temos dias assim e desabafar faz bem.

Nem terminei meu tratamento ainda, e mesmo assim as vezes me pego pensando na possibilidade da doença não me deixar nunca.

Nesses dias, tento afastar esses pensamentos e voltar a ter fé. É a difícil arte de viver um dia de cada vez.

Um bjo =)

Lina Querubim disse...

É verdade o que escreves mas temos que acreditar que não vai voltar!Beijinhos

..um certo gaiense disse...

Ligia..eu que me considero homem de fé..vou fazer uma afirmação perentória..o seu problema está resolvido..vai continuar a ter qualidade de vida..para alegria de TODOS..eu incluido..não deixe que os exemplos de excepções lhe convençam do inverso..pra frente menina..
um beijinho..
Ps..abraço ao Jota..abração á MATILDA

Anónimo disse...

Olá. Primeiramente,estou em choque pelo desaparecimento do Michael.Passávamos horas no msn e era fantástico.Sempre pensei que teria muitos e bons anos pela frente mas a esperança por vezes, ao invés de ser um analgésico,pode-se tornar no próprio veneno. E isto diz o que penso: dosear, é só o que nos resta e ver o evidente, sem medo que paralise.
Boa sorte
Ana Martins

A Casa da Praia disse...

Disso que sentes e que eu não conheço (só quem passa por certas coisas pode perceber)já estás a tirar uma coisa muito boa: não deixar nada por fazer, viver cada dia ao máximo!

Beijinhos muitoooo grandes

Camila Pacheco disse...

olá, Gigi!

Já tive eem remissão por 3 vezes e cada vez que a doença volta é um baque, pra mim a pior de todas foi a última, após o transplante alogênico, fiquei meio revoltada, muito triste.
Acredito que temos que nos permitir esses sentimentos, mas não podemos deixar nunca de perder a Fé e nunca desistir.

Sinta minhas energias positivas, estou na torcida por vc.

Bjão